16 Jul. 2018
Construir o futuro da habitação
Construir o futuro da habitação
Pedro Rocha Vieira, Cofundador e CEO da Beta-i

Comprar casa é uma das decisões mais complexas e sérias que a maioria das pessoas faz na vida, no entanto esta é uma experiência que de forma transversal ainda não tem tido grandes melhorias, apesar do boom imobiliário.

Quando falamos de inovação, podemos separar o real estate em três grandes áreas: PropTech (real estate startups); Smart real estate (inteligente cities and builddings); e Contech (construction startups).

O principal desafio do setor tem que ver com a falta de oferta e com o custo elevado das casas, o qual deriva não apenas da escassez de alguma especulação mas também pelo facto de a construção ser dos setores que menos investe em R&D, uma média de 0,5%, comprando com os 3,7% na indústria automóvel ou com 8,8% na indústria da eletrónica e computadores.

Apesar do pouco investimento em R&D, começa a haver alguma inovação a nível internacional, em particular na área da fabricação como por exemplo a Blokable, que permite a construção de blocos prefabricados, ou a Katerra, que cria ferramentas de desenho computacional e de BIM (building information modeling), que permite uma gestão da construção just-in-time e com enorme customização e flexibilidade.

Outro desafio tem a ver com a adaptação de novos conceitos às novas necessidades e dinâmicas de habitação. Depois do sucesso do coworking, com a sua maior expressão no colosso WeWork, começam a surgir cada vez mais conceitos de coliving e partilha de casa como a star city ou a common, entre muitas outras como a outsider ou a digital nomad house, atualmente em Lisboa.

É muito interessante ver o que a Google está a fazer com a Factory_OS na construção de casas modulares, onde conseguiram reduzir 20% dos custos e aumentar 40% da velocidade de construção, ou o que a Alphabet (empresa holding da Google) está a fazer com o Sidewalks Lab, um projeto focado na reimaginação de novos conceitos de cidades e de qualidade de vida, com um piloto em Toronto.

Para além da evolução no setor da construção e do real estate inteligence, a área da PropTech tem vindo a crescer muito nos últimos 4 anos, com cerca de 6,4 mil milhões de dólares de investimento em mais de 800 startups, das quais, das quais quatro unicórnios: Compass (uma rede de brokers de real estate), Homelink (portal chinês), SMSM Assist (ferramenta de gestão de propriedades) e Opendoor (com um algoritmo inteligente de big data que permite aos proprietários definir um preço automático e vender diretamente na plataforma online través de vendas automáticas e autoguiadas).

Existe uma oportunidade enorme para transformar a forma como se compra e vende casa, desde agregadores mais inteligentes com base em inteligência artificial e big data (como a Zillow, TenX, OpenDoor, Purplebricks, HouseSimple, Redfin ou VTS), a visitas virtuais online (como a Matterport), com realidade aumentada (como a Datrix) ou com Drones, a contratos inteligentes utilizando blockchain (como a Ubitquity).

Na área do financiamento também existe uma evolução, como o crowdfunding focado em real estate, com empresas como a RealityShares, Funrise, Housers, ou mesmo a portuguesa Portugal Crowd. Outra tendência, é a tokenização de ativos imobiliários através de plataformas de blockchain (como a Treehouse ou a Brickblock), que permite a pessoas comprar partes de ativos imobiliários, como se fossem ações, e faze uma carteira de diferentes ações de diferentes ativos imobiliários, com rentabilidades distintas.

No entanto o processo de compra ainda depende grandemente do crédito à habitação mais tradicional da banca, que é um processo ainda relativamente rudimentar e com uma experiência bastante sofrível.

Num momento em que o imobiliário está em alta é importante que todo o setor reflita sobre o tema da transformação digital e da inovação, e que não façam como fez a música, rapidamente desintermediado por players como o Spotify.

 

Logo JN Artigo publicado no Jornal de Notícias, em 01/07/2018.

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